6/maio (quarta-feira) - No dia anterior iniciou na cidade o 14° FECATE (Festival Catarinense de Teatro), onde ocorrem nessa semana oficinas, peças teatrais, etc. E aconteceu uma falha de comunicação e em vez de fazer a oficina "Corpo e Voz em Ação" com Angela Finardi e Sabrina Lermen, fiz a oficina "Criação e Composição Cênica" com Daiane Dordete e Daniele Pamplona da Faunos Cia. Teatral - Joinville. Mas foi bem legal. Aprendi sobre composição cênica, que foi bem interessante e enriquecedor. Tivemos exercícios de alongamento com respiração (yoga), criação de movimento de agressão, repetição do movimento de agressão (lento, normal, rápido). Caminhando pelo espaço, ao sinal e indicação da ministrante para e realizar o movimento (lento, normal, rápido), depois foi só acrescentando coisas como demonstração de raiva, tristeza, coragem, histeria, medo e uma fala (um trecho de uma cantina de roda). Após a experimentação, foi realizado uma demonstração, um por um foi apresentando seu experimento com a indicação da ministrante do movimento e emoção. Outros exercícios, sendo um deles para desenvolver a percepção do grupo e outro a percepção da arquitetura cênica (topografia).
Esta oficina é interessante para o teatro de rua e também pra minha formação de atriz, porque mexe muito com o corpo. A voz no corpo. O corpo fala, comunica aos outros as emoções, ou seja, não há a necessidade de utilizar a face (se ela estiver mascarada). O corpo também fala.
E depois fui correndo pra faculdade e após o intervalo fui correndo para a AJOTE pra ver a peça teatral "Noite" do Grupo Porto Cênico de Itajaí/SC, com os atores Roberto Morauer e Valéria de Oliveira, a qual já havia comprado o ingresso antes no Biergarten Bar e Choperia por R$ 5,00 a meia-entrada para estudante. É tão bom ser estudante! Poderia ser eternamente estudante. Bom, eu serei, mesmo que for apenas da vida.
Mas falando da peça... Ela foi interessante! Mas o que eu gostei mesmo foi do cenário, cheia de roupas e acessórios pretos pelo chão. A peça é sobre lembranças. Isso me lembra a falta de lembranças que insisto em não guardar na memória.
“Que lembranças perduram e atravessam o tempo? As coisas ditas (a palavra, seta disparada) ou as não ditas (mágoa calada, pedra guardada)? Um casal, uma relação (o que é absolutamente comum), vivendo no presente um passado que insistente bate ã porta, bate aos ouvidos, bate a cabeça. O véu da noite, que turva os olhos e que PR vezes dilata os sentidos, também pode dificultar a percepção do nosso mundo, de nossas intimidades, de nós mesmos e, assim, cobrir a cena de uma penumbra angustiante. Da pausa inicial à final, uma vida a dois que entre silêncios ainda pulsa.” (trecho retirado do folder da peça NOITE).
7/maio (quinta-feira) - Fui ver a peça teatral "As três irmãs" do grupo Traço Cia. de Teatro de Florianópolis/SC, com as atrizes Débora de Matos, Greice Miotello e Paula Bittencourt, as 22h na AJOTE, R$ 5,00 o ingresso (meia-entrada). Ainda bem que já tinha comprado meu ingresso antes, porque havia MUITA gente lá. Todos alucinados para ver esta peça. O galpão lotou. Teve gente que sentou no chão (às vezes, é até melhor! Eu já sentei no chão pra ver peças de teatro e não foi nenhum incomodo). Mas foi MA-RA-VI-LHO-SAAAA! A melhor peça que já vi até agora. Nenhuma se compara a ela. O que a torna tão boa é o quanto nos identificamos com as personagens, que estão na merda, mas, mesmo assim, ainda tem esperança de sair dela. E é tão poético que se torna leve, engraça, divertida, emocionante, cativante e nos faz chorar, tudo isso de um jeito gostoso e saboroso. O público consegue saborear cada emoção que sente. É uma delícia! Apesar de fazer-me recordar de coisas tristes e deprimentes como o quanto sou solitária, a perda de minha irmãzinha amada e de todas as tristezas vividas por minha pessoa e que apesar delas terem existido - e ainda existem de fato em minhas lembranças - continuo vivendo, ou seja, a vida continua com seu curso.
8/maio (sexta-feira) - Fui assistir a peça teatral "Hagënbeck Ltda." do grupo Cia. Experimentus Teatrais de Itajaí/SC, 22h na AJOTE, sendo que pago meia-entrada (R$ 5,00). Penso que essa peça foi prejudicada por se passar depois de "As três irmãs", porque é uma peça mais séria e pra entender precisa saber, ter um conhecimento mais aprofundado em biologia no assunto evolução das espécies e sobre primatas. Apesar de que não entendo muito disso e consegui tirar minhas próprias conclusões e achei interessante. Eu gostei, mesmo não entendendo os termos técnicos que o personagem dizia. Consegui captar algumas coisas. A fotografia ajudou um bocado para minha compreensão e a expressão corporal do ator era fantástica, ele parecia muito com um primata. Mas, além disso, o que mais me impressionou foi que fiquei a peça inteira pensando em onde a humanidade chegou. Tivemos nossa oportunidade de evoluir, crescer e ajudar a natureza (de onde viemos e nos esquecemos) e não soubemos aproveitar. O que fizemos foi apenas poluir, matar, destruir, guerrear, roubar, saquear... E assim vai. O inimigo do ser humano, é ele mesmo.
9/maio (sábado) - Por causa do FECATE, fizemos uma reunião diferente. Combinamos do grupo se encontrar às 17h no Nosso Empório pra fazermos uma confraternização entre seus membros. Depois fomos para o teatro Juarez Machado para ver o espetáculo "O incrível ladrão de calcinhas" do grupo de teatro Trip Teatro de Animação, sendo a concepção, direção e animação de Willian Siewert. Muito engraçadinho! Muito fofo e nos lembra de que nem sempre o que parece é e que quem vê cara não vê coração. Depois peguei uma carona (com o Hélio) e fomos para o galpão da AJOTE para ver "Volúpia" do grupo Cia. Carona de Teatro da cidade de Blumenau/SC. Essa peça desestabilizou-me, parecia que o chão, abaixo de meus pés, haviam sumido junto com a platéia. Quase perdi o controle sobre meu corpo. Quase entrei em cena para ajudar a garota e a dar uns socos e pontapés nos caras. Mas eu sabia que era uma peça teatral, ficção, não era real. Então, me segurei na cadeira e finquei meus pés no chão para não fazer uma loucura, principalmente que tinha muita gente conhecida assistindo.
16/maio (sábado) - Começamos a ler o texto da peça, a qual montaremos. Não terminamos, porque as leituras estavam sendo normais e não com a dramatização, a qual cada personagem exigia. Lá pelas 16h paramos de ler o texto, sendo que estava no começo ainda, de tanto troca-troca que houve pra ver quem fica melhor em cada personagem. Cada um escreveu, num pedaço de papel, que personagem queria ser, escolhendo três por grau de desejo. Às 16h, alguns tiveram que sair pra fazer uma oficina de combate cênico, muito interessante, é uma pena eu ter perdido. Para os que ficaram, fizemos um exercício, em grupo, de improvisação, onde tínhamos que encenar uma brincadeira-briga-reconciliação-brincadeira como se fôssemos crianças novamente. Este exercício me fez avivar sentimentos guardados que preferiria deixá-los assim, enterrados e esquecidos onde estavam. Estou escrevendo minha autobiografia justamente para ver todas as situações de fora, sem colocar minhas emoções em pauta, analisando tudo como mera espectadora para não sofrer e também para aprender com o passado. Daí, este exercício apareceu e estragou tudo, acabou comigo. Lembrou-me da dualidade que fora a minha infância. Parte triste e parte feliz. E que mesmo as lembranças felizes me deixam triste, porque é como se estivesse muito longe e que está além do meu alcance obter esta felicidade novamente. E as lembranças tristes já são tristes por si só.
19/maio (terça-feira) - Mexeu tanto comigo o exercício de voltar a ser criança que até agora estou um pouco sensibilizada, mas já estou me recuperando, aos poucos. Debater sobre meus sentimentos comigo mesma, é uma válvula de escape para não perder a cabeça e nem o controle de minha vida.
Agora fico pensando, quais as lembranças que me desestabilizam tanto?
A primeira a de que talvez tenha perdido a oportunidade de ter ficado com alguém realmente decente com medo de que o "cara certo" chegasse (aparecesse), sendo que não existe o cara certo, mas sim pessoas decentes. Ou o medo de expor meus sentimentos aos outros, graças a um episódio em minha infância, ser traída pelas próprias amigas que juraram não contar sobre quem era o guri que eu gostava na época. Ou ao medo de me colocar em situação de ridículo, porque as pessoas já fizeram muitos comentários maldosos, deboches, colocaram apelidos que eu não gostava ou cochichavam e riam olhando para mim. E fez com que eu me tornasse a pessoa que sou hoje. Uma figura triste e solitária. Tal qual um Dom Quixote.
23/maio (sábado) - Definição das personagens. Leitura do texto.
29 para 30/maio (sexta-feira para sábado) - Fui assistir a estréia maldita, às 00h13, da peça teatral "A Cela das Almas" do grupo Em Cena Teatro de Joinville/SC com os atores Cristiano Nagel e Jonas Raitz, direção de Morgana Raitz e ass. de direção de Hélio Costa.
30/maio (sábado) - Começamos a elaborar a sonoplastia e a pensar a entrada, o início da peça. Leitura do texto.
